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MORRE JOEL FILHO. UMA REFERÊNCIA DAS MAIS EXPRESSIVAS DO JORNALISMO REGIONAL

MORRE JOEL FILHO. UMA REFERÊNCIA DAS MAIS EXPRESSIVAS DO JORNALISMO REGIONAL

| Tonet | Blog
Joel Filho, eu, Marival Guedes e Daniel Thame: quatro dos integrantes da geração de ouro do jornalismo do sul da Bahia (foto: reprodução)

Tonet por Tonet

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Aos 67 anos, desaparece um dos nomes mais expressivos do jornalismo do sul da Bahia. Joel de Freitas Matos FilhoNos conhecemos o bastante para manter uma amizade duradoura repleta de profissionalismo e uma relação de confiança das mais intensas. E sobretudo, impregnada de um coleguismo consciente e desafiador.

Uma trajetória profissional das mais brilhantes, com passagens por inúmeros veículos de comunicação do sul da Bahia, Joel totaliza uma experiência de 45 anos de dedicação à imprensa, cujo nome era respeitado e reconhecido como um dos mais experientes jornalistas dessa geração dourada que deixou marcas profundas na comunicação regional.  

Iniciou sua carreira no rádio ao lado de Lucílio Bastos e Milton Menezes, na Rádio Jornal de Itabuna. Depois migrou para a mídia impressa onde ocupou cargos de redator-chefe como na Tribuna do Cacau e no Jornal Agora.  

Teve também passagem pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Itabuna e integrou a diretoria do Sinjorba aqui no sul da Bahia.  

Ultimamente estava se aposentando e lutava contra problemas de saúde que inclusive estava afetando sua visão.

LIÇÕES, DECEPÇÕES, EMOÇÕES

Muitas histórias tive com Joelzinho. Ele me chamava de Tunica, um apelido carinhoso que tenho com meus amigos mais íntimos. Quando me encarava seriamente, chamava Antonieta Mota!

Quantas madrugadas varamos juntos quando trabalhávamos na assessoria de imprensa na gestão do ex-prefeito Fernando Gomes. Algumas, com goles de whiskey, outras à base de café e muitas discussões sobre a profissão e ideologias fantasiosas.

Falávamos da nossa família, de romances loucos, de bebedeiras grandiosas e ressacas inevitáveis. E claro, de jornalismo, a nossa eterna e divina cachaça. Que nos atraiu e nos juntou.

Quando me revelou seu estado precário de saúde me solicitou um neurologista. Indiquei o dr. Gentil Almeida Junior que o atendeu prontamente.

Antes, porém, levei-o para participar comigo da bancada de comentaristas do TVINews. Não quis ficar por muito tempo. Desistiu e também interpretei sua decisão como algo pessoal e que só teria sentido tocar no assunto se ele assim o quisesse.

Algumas vezes, o encontrava no Beco do Fuxico e o repreendia por estar bebendo e ele, calmamente me respondia: “Tunica, o médico disse que eu posso tomar uma ou duas cervejinhas”.

Aprendemos juntos a lidar com decepções e obstáculos que essa profissão nos oferece dia após dia. Com ele, dividi jornadas desafiadoras e encarei dúvidas e preconceitos por ser mulher e ocupar naquela época posição de destaque num universo jornalístico masculino e carregado de desconfianças.

Sabe Joel, não sei se pra você, mas para mim esse encontro foi muito rico e repleto de amor, confiança, disponibilidade e sobretudo, fraternidade.

Obrigada por tudo. Foi muito bom conhecer você.  

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